Curso: Feminismo, Filosofia e Psicanálise - Uma Escuta Crítica
Por Marcia Tiburi
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O curso oferece uma revisão crítica do falocentrismo e do apagamento das mulheres na história e na teoria psicanalítica, sendo direcionado a analistas, estudantes e interessados em geral em busca de uma escuta clínica contemporânea. Ao longo de quatro encontros, investigamos as estruturas patriarcais fundantes em Freud e Lacan, contrapondo-as às respostas teóricas pioneiras de Karen Horney e Sabina Spielrein. Analisamos os desdobramentos clínicos do apagamento do trauma real e do abuso institucional sob a ótica histórica de Carlo Bonomi. Através do feminismo da diferença de Luce Irigaray e Julia Kristeva, desconstruímos o conceito de "falogocentrismo" e exploramos a lógica do "Não-Todo" e o espaço semiótico pré-edípico. O objetivo central é fornecer ferramentas teóricas e éticas que permitam acolher o sofrimento contemporâneo sem reproduzir dogmas patriarcais ultrapassados. Ao final, os participantes estarão aptos a remapear os limites da psicanalise a partir de cartografias clínicas e conceituais mais inclusivas e plurais.
O que você aprenderá
08, 15, 22 e 29 de Setembro de 2026, sempre das 20h às 22h - Online
Aula 1Aula 1: O Segundo Sexo e a Dissidência Anatômica
O choque entre o existencialismo filosófico e o determinismo biológico/edípico na psicanálise clássica.
Simone de Beauvoir e a crítica à psicanálise em O Segundo Sexo: "Não se nasce mulher, torna-se mulher". O questionamento do monismo fálico freudiano e a recusa em ver o destino da mulher como uma "falta" essencial.
O enigma freudiano da feminilidade e a resposta clínica de Karen Horney: a "inveja do útero" e a determinação cultural versus o determinismo anatômico.
Aula 2O Apagamento Clínico, o Trauma e a Destruição
Domine as ferramentas para organizar ideias, traçar metas e criar rotinas. Do brainstorming à publicação, este curso transforma ideias dispersas em um plano coeso.
Aula 3Falogocentrismo e a Linguagem do "Não-Todo"
Como a filosofia da história e a crítica ao patriarcado institucional revelam o silenciamento de corpos e teorias no nascimento da psicanálise.
Sabina Spielrein: A filosofia da pulsão de destruição como princípio criador ("A destruição como causa do devir"). O apagamento de sua autoria e a apropriação de suas teses. A transferência ética e a assimetria de poder institucional.
Carlo Bonomi: A desconstrução histórica da "fantasia de castração". O caso Emma Eckstein e a transformação da violência médica real em metáfora psicológica.
A virada linguística e pós-estruturalista na filosofia francesa e sua batalha com o Simbólico lacaniano.
Lacan e as Fórmulas da Sexuação: O universal fálico versus o "Não-Todo" e o Gozo Suplementar.
Luce Irigaray: A crítica ao "falogocentrismo". A filosofia do "espelho especular" (a mulher como o avesso ou o negativo do homem) e a invenção de uma linguagem corporal e plural ("O sexo que não é um").
Aula 4Performatividade, Abjeção e a Matriz de Gênero
A desconstrução do sujeito moderno a partir da filosofia feminista contemporânea e da psicanálise crítica.
2.Judith Butler: A apropriação e crítica de Lacan. O conceito de "matriz heterossexual" e a melancolia de gênero: o gênero como performance repetitiva e o recalque de identificações homossexuais originárias. 3.
3.
Julia Kristeva: A filosofia da abjeção e o espaço semiótico-materno que antecede a Lei do Pai. O corpo que ameaça as fronteiras do Simbólico.
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Tradução de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. (Especialmente o capítulo "O ponto de vista da psicanálise").
BENJAMIN, Jessica. Os laços de amor: psicanálise, feminismo e o problema da dominação. São Paulo: Cultrix, 2019.
BONOMI, Carlo. O apagamento do trauma. Uma breve história apocalíptica da psicanálise. Sao Paulo: Blucher, 2026.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. (Capítulos sobre a crítica ao Simbólico lacaniano).
BUTLER, Judith. Corpos que importam: os limites discursivos do sexo. São Paulo: N-1 edições, 2019.
FREUD, Sigmund. Algumas consequências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos (1925). In: Obras completas, volume 16. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
FREUD, Sigmund. Feminilidade (1933). In: Obras completas, volume 18. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
HORNEY, Karen. Psicologia feminina. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.
IRIGARAY, Luce. Esse sexo que não é um só. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.
KRISTEVA, Julia. Poderes do horror: um ensaio sobre o abjeto. São Paulo: Escuta, 1987.
LACAN, Jacques. O seminário, livro 20: mais, ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.
MITCHELL, Juliet. Psicanálise e feminismo: Freud, Reich, Laing e as mulheres. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.
SPIELREIN, Sabina. A destruição como causa do devir. In: CAVALHEIRO, Renata (Org.). Sabina Spielrein: uma pioneira da psicanálise - Obras completas. São Paulo: Analytical, 2014. v. 1.
CROMBERG, Renata Udler. Sabina Spielrein: uma pioneira da psicanálise. São Paulo: Livraria do Psicólogo, 2018.
ZIZEK, Slavoj; COPJEC, Joan (Org.). Um destino pior que o sexo. Rio de Janeiro: Boitempo, 2006.
Bibliografia Selecionada
Marcia Tiburi (1970) é bacharel, mestre e doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul onde também se formou em Artes Plásticas, área na qual ela fez um pós-doutorado na UNICAMP.
Lecionou em universidades brasileiras e estrangeiras (entre elas UNISINOS, UNILASALLE, FAAP, MACKENZIE, UNIRIO e PARIS 8) tendo se dedicado também a pesquisas envolvendo ética e filosofia social, literatura, gênero e feminismo, filosofia da linguagem e filosofia das tecnologias digitais, além de filosofia da educação.
Dessas pesquisas surgiram artigos acadêmicos, artigos de revistas, jornais e programas de divulgação. Além de diversos livros, dentre os quais os ensaios: “Olho de Vidro: a televisão e o estado de exceção da imagem” (Record, 2011); “Filosofia Prática: ética, vida cotidiana, vida virtual” (Record, 2014), “Complexo de Vira-Lata: análise da humilhação brasileira” (Civilização Brasileira, 2021); “Mundo em Disputa: design de Mundo e distopia naturalizada” (Civilização Brasileira, 2024), e “Ninfa Morta – uma história do odio às mulheres” (Planeta, 2025). E entre os romances: Uma fuga perfeita é sem volta”(Record, 2016); “Sob os pés, meu corpo inteiro” (Record, 2018); “Com os sapatos aniquilados, Helena avança na neve” (Nós, 2023).
Conheça a professora
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É pesquisadora associada ao LLCP (Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre as Lógicas Contemporâneas da Filosofia, da Universidade Paris 8) e palestrante sobre temas relacionados à filosofia, ética, meios de comunicação e educação.
Desenvolveu projetos, tais como “Filosofia do Rock” (CCBB e Caixa Federal, 2012-13), além do ciclo de debates Filosofia da MPB (SESC, 2025). Foi roteirista e apresentadora do “Entrevista” do Canal Futura (2018) e participou do programa Saia Justa do GNT (2005 a 2010). Foi apresentadora das temporadas 1 e 2 do podcast “PODE”, iniciativa da Escola Nacional de Administração Pública (2024-2025).
Concebeu o “Filosofia Pop” (1, 2 e 3) dirigido por Esmir Filhocom produção da Saliva Shots e o SESC SP. Com o SESC edições (em parceria com a Editora Nós) criou também a coleção “Pop Filosofia” na qual publicou o primeiro ensaio homônimo. É colunista da Revista Cult e da Revista Liberta do ICL.
Atualmente, participa do programa de debates “Precisamos conversar” do ICL, ao lado de Juliana Baroni, Assucena e Sara Zara.
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