Conheça as obras dessa edição

Julho/2026

Ninfa Morta é uma reflexão filosófica sobre a misoginia e sobre como o ódio às mulheres foi construído, naturalizado e reproduzido ao longo da história. Márcia Tiburi analisa a sociedade patriarcal como uma estrutura que transforma o corpo, a voz e a liberdade das mulheres em alvos de controle, violência e apagamento. A autora relaciona filosofia, arte, psicanálise, política e cultura para mostrar como a imagem idealizada da mulher silenciosa, dócil e disponível convive com a punição da mulher real — aquela que fala, deseja, pensa e reivindica direitos. O livro também aproxima essa tradição de ódio das formas contemporâneas de violência contra mulheres, incluindo o feminicídio e o ódio digital.  

Agosto/2026

O Contrato Sexual é uma obra central da teoria política feminista e questiona as bases da sociedade moderna. Carole Pateman revisita a tradição do contrato social para revelar que a promessa de liberdade, igualdade e cidadania nasceu marcada pela dominação masculina. A autora mostra que, antes mesmo do pacto político entre indivíduos, existe um contrato sexual que organiza a subordinação das mulheres no casamento, no trabalho, na família e na vida pública. Ao analisar filosofia, direito e política, o livro evidencia como o patriarcado permanece escondido nas instituições modernas. A obra propõe uma crítica decisiva às ideias de autonomia, consentimento e democracia e às desigualdades presentes nas relações sociais contemporâneas.

Setembro/2026

Calibã e a Bruxa é uma investigação histórica e feminista sobre a formação do capitalismo e seus impactos sobre as mulheres. Silvia Federici analisa a transição do feudalismo para a modernidade mostrando como a acumulação capitalista dependeu da violência contra corpos femininos, do controle da reprodução e da perseguição às chamadas bruxas. A autora relaciona cercamentos de terras, colonização, trabalho doméstico e disciplina social para revelar como o patriarcado foi reorganizado em benefício da nova ordem econômica. O livro questiona narrativas tradicionais da história europeia e mostra que a caça às bruxas não foi superstição isolada, mas instrumento político de dominação, exploração e silenciamento das mulheres ao longo da história.

Outubro/2026

As Estruturas Elementares da Violência é uma obra decisiva para compreender a violência contra as mulheres como fenômeno social, político e simbólico. Rita Segato analisa as relações de gênero a partir de pesquisas sobre estupro, patriarcado e poder, mostrando que a violência não nasce apenas do desejo individual, mas de estruturas coletivas que organizam hierarquias entre homens e mulheres. A autora revela como o corpo feminino é transformado em território de disputa, dominação e mensagem dirigida à sociedade. Ao articular antropologia, feminismo, direito e crítica cultural, o livro expõe a permanência de uma pedagogia da crueldade que sustenta desigualdades, naturaliza agressões e ameaça a vida das mulheres na contemporaneidade brasileira.

Novembro/2026

A Invenção das Mulheres é uma obra fundamental dos estudos de gênero, africanos e decoloniais. Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí questiona a universalização das categorias ocidentais de “mulher”, “homem” e “gênero” ao analisar a sociedade iorubá antes e depois da colonização. A autora mostra que, naquele contexto, as hierarquias sociais não eram organizadas principalmente pelo sexo biológico, mas por outros princípios, como senioridade, linguagem, parentesco e posição social. Ao criticar leituras feministas baseadas em experiências europeias, o livro revela como o colonialismo impôs formas de classificação que apagaram saberes africanos. A obra amplia o debate feminista ao propor novas maneiras de compreender corpo, poder, identidade e organização social em perspectiva crítica e plural.

Dezembro/2026

A Reivindicação de Antígona é uma reflexão filosófica sobre parentesco, poder e reconhecimento. Judith Butler retoma a tragédia de Sófocles para analisar Antígona como figura que desafia as leis do Estado, as normas familiares e as fronteiras entre vida, morte, gênero e linguagem. A autora questiona interpretações tradicionais que opõem simplesmente família e política, mostrando como a personagem revela formas de existência que não cabem nos modelos reconhecidos de humanidade. Ao dialogar com Hegel, Lacan e a teoria feminista, Butler investiga quem pode falar, sofrer, amar e ser legitimado socialmente. O livro amplia debates sobre luto, parentesco, desejo e exclusão nas sociedades contemporâneas e seus modos de pertencimento e resistência.